
SOBRE NÓS

Fundado em 1962, o Quinteto Villa-Lobos tem como missão divulgar a música de câmara brasileira, abarcando gêneros variados e representativos da nossa arte. O propósito formativo se consolida em ações didáticas, desenvolvidas em centenas de apresentações e atividades educacionais em escolas e espaços públicos de todo o país.
Atualmente, é formado por Rubem Schuenck (flauta), Rodrigo Herculano (oboé), Cristiano Alves (clarineta), Philip Doyle (trompa) e Aloysio Fagerlande (fagote).
Em sua discografia, destacam-se os álbuns: Quinteto em Forma de Choros (Kuarup Discos); Fronteiras e Quinteto Villa-Lobos Convida (Rio Arte Digital); Um Sopro Novo (Selo Rádio MEC); A Obra de Câmara para Sopros de Heitor Villa- Lobos (ABMDigital); Quintetos de Sopro Brasileiros 1926–1974 (Selo Rádio MEC) — trabalho agraciado com o Prêmio BR-Rival, em 2008 —; Villa-Lobos – Um Clássico Popular e Ernesto Nazareth (Kalamata); o Blu-ray Quinteto Villa-Lobos – 50 Anos (Prêmio FAM-2011, Prefeitura do Rio de Janeiro); e Rasgando Seda (Selo SESC-SP), álbum indicado ao Grammy Latino.
Em 2006, por meio de projeto contemplado pela Funarte, realizou importante turnê pelo Nordeste brasileiro. Nesse mesmo ano, apresentou se em Berlim, encerrando a série artística “Copa da Cultura”.
Em 2008, através do projeto Oi apresenta: Quinteto Villa-Lobos no Rio de Janeiro, realizou dezenas de concertos e oficinas por todo o estado do Rio de Janeiro. Apresentou-se na quase totalidade dos estados brasileiros, bem como em dezenas de cidades de países como Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Equador, Colômbia, Israel, Portugal, Estados Unidos, México e França (em concerto promovido pela Radio France, na Salle Olivier Messiaen).
A convite do Itamaraty e do Ministério das Relações Exteriores, realizou importantes turnês mundiais e apresentou-se em diversos países africanos.
Como conjunto artístico convidado e Quinteto residente, atuou em destacados festivais, como: Cartagena Music Festival (Colômbia), Festival de Música Clássica Brasileira em Portugal, Feira do Livro de Frankfurt (Alemanha), Festival Cervantino (México) e Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.
Atuou como solista frente a importantes organismos sinfônicos do país e foi responsável por inúmeras estreias mundiais. Participou de distintas edições da Bienal de Música Brasileira Contemporânea.
Ao longo de mais de seis décadas de serviços prestados à cultura nacional, colaborou com diversos dos principais compositores, arranjadores, cantores e instrumentistas da música brasileira.
Em sua trajetória, recebeu inúmeras homenagens, e importantes títulos da produção camerística brasileira lhe foram dedicados.
Em 2001 e 2009, recebeu o Prêmio Carlos Gomes, promovido pelo Governo do Estado de São Paulo, como o Melhor Grupo de Câmara nacional.
Em 2018, no Palácio do Itamaraty, o Quinteto Villa-Lobos foi agraciado, pelo Ministro das Relações Exteriores do Brasil, com a Comenda da Ordem de Rio Branco.
Em 2023, realizou, no Centro Cultural Banco do Brasil (RJ), uma série de concertos em comemoração aos 60 anos de atividade ininterrupta.
Em 2024, lançou o álbum Sempre. Este novo trabalho celebra a trajetória do grupo, trazendo versões inéditas de obras dedicadas especialmente ao quinteto. Com arranjos de grandes nomes como Paulo Sérgio Santos e K-Ximbinho, o álbum é um manifesto à música de câmara brasileira, transitando entre o choro, a valsa, o frevo e a canção popular — sempre com a sofisticação e o brilho característicos do Quinteto Villa-Lobos. O álbum foi indicado ao Prêmio da Música Brasileira BTG Pactual em 2025.
Nossa História, por Aloysio Fagerlande
Criado em 1962, com o objetivo de atingir novas plateias, o Quinteto Villa-Lobos passa a apresentar-se em espaços não convencionais para a prática da música de concerto, visando à divulgação da música de câmara, sobretudo para o público mais jovem. O repertório de obras de autores nacionais para a formação quinteto de sopros era muito restrito, e o grupo passa a estimular compositores brasileiros a escreverem para o conjunto. Inicialmente o nome seu seria Quinteto Haydn, mas por sugestão de Mindinha Villa-Lobos adotou o nome de Quinteto Villa-Lobos, como relatou Celso Woltzenlogel, flautista fundador do grupo formado também por Paolo Nardi (oboé), Wilfried Berk (clarineta), Carlos Gomes de Oliveira (trompa) e Airton Barbosa (fagote). https://youtu.be/lnLs1fRgq-o
Em fins de 1964, o Quinteto Villa-Lobos ampliava o seu campo de atuação, participando do histórico espetáculo no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, durante o 5º Festival Villa-Lobos ao lado da "divina" Elizete Cardoso na Bachianas 5. Rompendo barreiras, foi a primeira vez no Brasil que um grupo com formação tradicional da música de concerto tocou ao lado de músicos populares. A apresentação com Elizeth foi a deixa para que Aloysio de Oliveira, por sugestão de Luiz Eça, convidasse o Quinteto Villa-Lobos para integrar, em 1965, ao lado do Tamba Trio, o lendário show da boate Zum-Zum, com Edu Lobo e Nara Leão – já nesta época, dois importantes astros da música popular. Neste link https://www.instagram.com/reel/DD8B43uJ5k4/?igsh=MTVjZ2dmZmExOXoz pode-se ouvir um pequeno relato de Edu Lobo sobre a ocasião.
Chega 1968, e a ditadura militar atinge também a vida musical do país. Entre as diversas consequências, calou as discussões e as reflexões sobre Música Brasileira promovidos pela revista Cadernos Brasileiros, movimento que teve a participação do Quinteto Villa-Lobos, através da atuação do fagotista Airton Barbosa. “Os tempos eram difíceis, mas o Quinteto conseguiu dar continuidade ao trabalho de formação de plateia, através de recitais didáticos. A tesoura da censura feria, sem clemência, os versos dos nossos cancioneiros. Os artistas, porém, reagiram pelo veio da música instrumental, com a revitalização do choro, que ressurgia dando mostras de querer se modernizar” conta Valdinha Barbosa, viúva de Airton em depoimento pessoal.
Após a temporada muito bem sucedida na Boate Zum-Zum, inclusive no aspecto financeiro, quase todos os integrantes do grupo compraram seus apartamentos, com exceção de Airton, que comprou um jornal... Extremamente preocupado com a classe musical, ele foi preso por suas ações e convicções políticas, que de certa forma refletiram na filosofia de trabalho que seria implementada na atuação do QVL a partir de sua criação. O Quinteto começa o namoro com o choro em 1970. Foi o bandolinista Deo Rian quem aproximou o grupo do choro, convidando-o a participar do seu disco pela RCA Victor (uma joia com arranjos de Orlando Silveira e produção de Dalton Vogeler, que pode ser ouvida no programa de rádio Concertos UFRJ disponível em https://promus.musica.ufrj.br/2024/05/concertos-ufrj-14-05-2024/ ).
O choro passou a ser um gênero que o QVL adotou desde então. Mas a crítica torcia o nariz... A temporada no Canecão com Roberto Carlos em 1973 e a participação com Deo Rian nas comemorações dos 10 anos da Orem dos Músicos do Brasil na Sala Cecilia Meireles – onde também estavam Pixinguinha, Donga e João da Bahiana - fizeram o Quinteto amargar o silêncio da crítica, mesmo quando se apresentava em recitais somente com música de concerto. Nesse momento, Ayrton Barbosa faz um desabafo no Jornal do Brasil: “Desde o início, nosso cuidado foi sobre a ampliação do público para a música séria que fazemos. Sabíamos que precisávamos formar novas plateias...O show com Roberto Carlos foi uma abertura, não uma concessão... O resultado disso tudo é que hoje o Quinteto tem uma vivência tão grande que não se permite mais tocar música clássica e achar isso o máximo. Mas se fazemos um show ou se vamos à televisão, vamos com aquela dignidade de quinteto, procurando a solução dos problemas que a música de câmera exige."
É importante citar esses depoimentos, até como forma de compreendermos melhor a trajetória do QVL, em seu processo de romper barreiras e sobretudo de desenvolver um sotaque para interpretar a música brasileira de concerto, mais próximo dos gêneros populares que a moldaram.

